Daniel: Historicamente confiável

12/05/2015 10:22:00 AM Gabriell Stevenson 0 Comments


O livro do profeta Daniel coleciona diversos atos divinos e históricos. Durante muito tempo, históriadores e arqueólogos, acreditavam que este livro não passava de uma obra ficcional. Não era pequeno o número de críticos que afirmavam que a Babilônia nunca havia existido. Mas alguns ainda chegavam a afirmar que se a Babilônia realmente tivesse existido, não passaria de um pequeno clã, porém, para a infelicidade deles, a arqueologia demonstrou o oposto.

Os resultados dos estudos do arqueólogo alemão Robert Koldewey, feitos entre 1899 e 1917, provaram que Babilônia era um grande centro econômico e político no Antigo Oriente Médio na metade do 1º milênio a.C. - ano 600 a.C.

Outro ponto de grande questionamento era sobre a existência ou não do rei Nabucodonosor. Mas aKoldewey descobriu alguns tabletes nas ruínas que escavou. Tais tabletes traziam o nome de Nabu-Kudurru-Usur [Nabucodonosor, em português], o que provou definitivamente que o rei da época de Daniel realmente existiu.


Mas quem disse que as críticas acabavam por aí? A existência de Belsazar, o último rei da Babilônia, também foi questionada. Mas novamente, graças a arqueologia essa posição foi contrariada.

Mais uma vez, vários tabletes cuneiformes confirmaram a existência de um rei. Neles estava a informação de que Nabonido, o último rei de Babilônia, deixou seu filho Bel-Shar-Usur [Belsazar em português] cuidando do Império enquanto ele estava em Temã, na Arábia. Você pode confirmar em Daniel 5.7 que Belsazar ofereceu para Daniel o terceiro lugar no reino, já que o pai, Nabonido, era o primeiro e ele, Belsazar, o segundo. 

E, surpreenda-se, até os amigos de Daniel estão documentados nos tabletes cuneiformes da antiga Babilônia.

Em 1931, foi públicada a descoberta de um prisma de argila contendo os nomes dos oficiais de Nabucodonosor. Três nomes em particular nos interessam nessa lista: Hanunu [Hananias], Ardi-Nabu [Abed Nego] e Mushallim-Marduk [Mesaque]. E estes como o leitor deve saber, são os mesmos nomes dos companheiros de Daniel mencionados nos capítulos 1, 2 e 3 de seu livro. Coincidência? Seria incrível de mais para ser apenas uma mera coincidência.

Sainda um pouco da arqueologia e partindo para a historiografia, há uma forte acusação contra o livro de Daniel: talvez ele tenha sido escrito durante o século II a.C. e não durate o século VI a.C. Motivo: existem algumas palavas gregas no terceiro capítulo de Daniel. Mas será que essa acusação confere de fato? Há uma ampla documentação de relacionamentos entre os gregos e os impérios da Mesopotâmia antes mesmo do 6º século a.C. que podem comprovar o contrário.

Nos registros do rei assírio Sargão II, por exemplo, fala-se sobre cativos da região da Macedônia [Cicília, Lídia, Ionia e Chipre - cidades gregas]. Se os judeus cativos na Babilônia eram solicitados para tocar canções judaicas [Salmo 137.3], por que não imaginar o mesmo com os gregos? Um poeta grego chamado Alcaeus de Lesbos [ano 600 a.C.] menciona que seu irmão Antimenidas estava servindo no exército de Babilônia. Logo, não nos deve causar espanto algum o fato de termos na orquestra babilônica instrumentos gregos.

Em outras palavras, o fato de existirem tais palavras gregas no terceiro capítulo de Daniel não prova sua composição no 2º século a.C., pelo contrário, o que podemos ver é que o intercâmbio cultural entre Babilônia e Grécia era comum antes mesmo do 6º século a.C., logo podemos concluir a influência desse povo sobre os judeus e [nesse caso em especial] sobre a escrita de Daniel.

Outro forte indicio de que o livro de Daniel não foi escrito durante o século II é a escrita hebraica e aramaica utilizada por Daniel. Kenneth Kitchen, Gleason Leonard Archer Jr, Franz Rosenthal, por exemplo, são grandes estudiosos do aramaico bíblico que afirmam ser o aramaico usado por Daniel muito diferente do aramaico utilizado nos Manuscritos do Mar Morto que datam do 2º século a.C.

Para Archer Jr., a morfologia, o vocabulário e a sintaxe do aramaico do livro de Daniel são bem mais antigos do que os textos encontrados no deserto da Judéia. Não só isso, mas que o tipo da língua que Daniel utilizou para escrever era o mesmo utilizado nas “cortes” por volta do 7º século a.C., ou seja, sua escrita corresponde diretamente ao áquela usada durante os séculos VII e VI a.C.

Como podemos ver, tanto a historiografia, quanto a arqueologia, confirmam a exatidão histórica do livro do profeta Daniel. E se ele é confiável históricamente, logo a sobrenaturalidade sobre ele também o deve ser. Se ele fala a verdade sobre os reis e a cultura que descreve, por que também não seria igualmente verdadeiro em suas profecias? Afinal de contas ele foi escrito durante o século VI a.C., por tanto foi escrito antes das profecias de Daniel se cumprirem. Pense nisso!