Hórus e Jesus – Part. 1

1/13/2016 07:31:00 PM Gabriell Stevenson 0 Comments


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Sumário:
1. Introdução
2. O nascimento virginal
3. Hórus teve 12 discípulos?
4. Hórus andou sobre as águas?
5. O poder de apaziguar as tempestades
6. Hórus foi crucificado?
7. O que significa “crucificar”?
8. Historicidade da crucificação de Jesus
9. A questão da ressurreição
10. Os títulos associados à Hórus e a tríade egípcia

1. Introdução
Todo ano é a mesma coisa. Desde o lançamento do “filme” Zeitgeist, em 2007[1], os anticristãos e demais céticos compartilham nas redes sociais imagens onde Jesus é comparado a diversos deuses pagãos, mas principalmente ao deus egípcio Hórus.

Mas seria isso um fato consumado? Pode-se realmente dizer que Hórus nasceu de uma virgem? Que teve 12 discípulos? Que andou sobre as águas? Que foi crucificado e ressuscitou ao terceiro dia? Ou tudo isso não passa de propaganda enganosa promovida por pessoas declaradamente anti-cristãs, ou ateístas militantes desinformados, ou mesmo mal intencionados, ou ainda por pessoas conspiracionistas? Vamos conferir.

2. O nascimento virginal

Para início de conversa, a história de Hórus ter nascido de uma virgem é um completo absurdo, pois sua mitologia nos diz que ele era filho de Isis, esposa de Osíris, e nada indica que a deusa fosse virgem ou que seu nome fosse “Isis Mary”, como indicado no filme; isso é uma grande mentira.

Segundo o mito original, após Osíris ter sido morto por seu irmão Seth, e esquartejado em vários pedaços, sua esposa junta todas as suas partes, menos o pênis, substituindo-o por um de argila. Depois disso, repousa sobre o corpo morto do marido e engravida[2].


3. Hórus teve 12 discípulos?

No que diz respeito aos discípulos, qualquer um sabe que o Senhor Jesus os tinha e que eram 12, chamados de apóstolos (Lc 6.12-16; Mt 10.1-4). Mas e quanto a Hórus? Ele de fato teve 12 discípulos dentro do mesmo entendimento que temos em relação aos discípulos/apóstolos de Jesus?

O que primeiro temos de entender é o significado dessas palavras: discípulo e apóstolo. Segundo a pesquisa no Google, discípulo é “quem estuda, aluno, aprendiz, aluno receptivo a ensinamentos.”[3] Segundo o Wikipédia, apóstolo vem “do grego clássico [...] (apóstolos, ‘aquele que é mandado para longe’), é um mensageiro e embaixador. [4]

Entendendo bem o significado destas palavras, vamos prosseguir.

Como já visto em um post recentemente publicado, não há provas de que Hórus teve 12 discípulos, no sentido correto da palavra. Mas vamos rever isso novamente.

Por vezes, as doze horas da noite e as constelações do zodíaco também são chamadas de deuses “ajudantes” de Osiris, de Hórus, e até de Rá:

“Os doze companheiros [de Osíris] deviam ser os doze signos do zodíaco...”[5, p. 175]

"Os doze deuses podem ser rapidamente identificados com Mazzaroth, ou os doze signos do Zodíaco, aravés do qual o sol passava todo ano."[5, p. 99]

Composições mortuárias pintadas nas paredes... descrevem a viagem de Rá através das 12 horas da noite, e seu renascimento no seu final.” [6, p.245]

Alguns veem isso como sendo 12 discípulos, na mesma esfera de compreensão que se dá para os discípulos e apóstolos de Jesus. Mas tudo não passa de especulação e interpretação pessoal.

Perceba que os autores mostram as doze constelações e as doze horas da noite como sendo deuses ajudantes de outros deuses diferentes e maiores. Ou seja, tais deuses não seriam necessariamente discípulos, mas sim encarregados de ajudar os demais nas mais variadas tarefas, como “ajudar o sol a nascer”; tal função não possui conexão com aquilo que se entende por discípulo ou apóstolo, seja no dicionário ou na Bíblia.

Comentando o texto achado na tumba de Seti/Sety/Sethos I sec. 13 AEC em Thebes, Budge comenta:

“à direita do barco de AFU-RA, e de frente pra ele, está Hórus, e os doze deuses das horas, que protegiam a tumba de Osíris e ajudam Rá em sua jornada...”[7, p. 153].

Em outras palavras, o que se vê é que as constelações é que guiam Hórus e Rá em suas próprias jornadas pelo céu e não Hórus ou Rá quem guia, instrui, ou ensina qualquer coisa às constelações. E mesmo que compreendamos tais deuses como sendo discípulos (o que não são) somaria a eles o número dos 4 porta-estandartes chamados de “seguidores de Hórus” que faziam parte do cortejo real dos faraós[8, p.64], totalizando 16; logo, Hórus não teria 4, nem 12 discípulos, mas 16.

Budge, em seu livro The Gods of the Egyptians, também possui um capítulo (cap. 19) cujos subtítulos incluem: “Gods of the hours of the day” [9, p. 294], “Gods of the hours of the night” [9, p. 294], “Gods and goddesses of the twelve hours of the night” [9, p.300] e “Gods and goddesses of the twelve hours of the day” [9, p.302].

Se são doze horas da noite e doze horas do dia, somariam 24 “discípulos”(?!). Com mais os 4 porta-estandartes, seriam 28(?!). Vê-se que toda essa ideia sobre os 12 discípulos de Hórus não passa de mera especulação mal fundamentada.

Continua... aqui!
Texto: Gabriell Stevenson

REFERÊNCIAS:
[1] Wikipédia. Zeitgeist, o filme. <https://goo.gl/HjaVC2>
[2] Templo de Apolo. A Morte de Osíris. <http://goo.gl/a9wdaA>
[3] Google. Discípulo. <https://goo.gl/XV9IEc>
[4] Wikipédia. Apóstolo. <https://goo.gl/OQfMmv>
[5] BONWIK, James. Egyptian Belief and Modern Thought. <https://goo.gl/7UK629>
[6] BARD, Kathryn A. An Introduction To The Archeology Of Ancient Egypt. <http://goo.gl/Zio8ve>
[7] Budge, E. A. The Egyptian Heaven and Hell, Three Volumes Bound as One.  <https://goo.gl/u3x6Jf>
[8] DOBERSTEIN, Arnoldo W. O Egito Antigo. <http://goo.gl/zQTxxY>
[9] BUDGE, E. A. Wallis, The Gods of the Egyptians. <http://goo.gl/sxRTeo>