Hórus e Jesus – Part. 3

1/13/2016 07:33:00 PM Gabriell Stevenson 0 Comments


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6. Hórus foi crucificado?

Quanto a questão da crucificação de Hórus, não há nenhum relato egípcio, seja no livro dos mortos ou nos textos das pirâmides que comprove tal alegação. Porém alguns, na tentativa ridícula de querer comparar Hórus com Jesus, forçam uma comparação absurda entre a cruz romana e as imagens e representações de Hórus e Rá com suas asas abertas; como essa logo abaixo:



Muitas figuras divinas realmente são retratadas com seus braços abertos ou semiabertos para mostrarem o seu resplendor e glória, e às vezes o ato de abençoar um povo ou nação. Mas o fato de alguma imagem, figura, escultura, etc., representar algo ou alguém com os braços, patas ou asas abertas, não significa que isso seja uma clara alusão a qualquer cruz, seja ou não romana, ou a crucificação de Jesus. Isso, no fim, seria mera especulação.

No que diz respeito à imagem de Hórus ou Rá em forma de falcão com suas asas abertas e pernas estiradas, mostrado na imagem acima, é de se esperar que eles fossem retratados deste modo, pois a glória e esplendor de um falcão se dão durante o seu voo:



Agora, a pergunta de um milhão de dólares: quem já viu algum falcão voar de asas fechadas e patas retraídas? Quando ele fecha suas asas, ele começa a cair, “mergulhar”, não a voar. É bem mais provável que as asas estiradas de Hórus e de Rá sejam uma alusão direta ao voo do falcão, pois este era o animal considerado sagrado que simbolizava o deus egípcio Hórus, assim como a Rá.

É realmente querer “forçar a barra” comparar uma imagem de um “falcão divino” de asas abertas com a cena do Senhor Jesus crucificado.

A posição de braços abertos do Senhor Jesus na cruz não tem nada haver com glória, mas com vergonha, desprezo e maldição (Sl 22; Gl 3.13). E seria até impossível ele não estar de braços abertos, sendo que qualquer cruz exige que o crucificado fique assim.


(Foto 1: Cruz em formato de X; Foto 2: Cruz em formato de T)

Aquele que era crucificado ficava de braços abertos possivelmente para mostrar sua fragilidade e expor ainda mais a sua vergonha, sem poder “esconder-se”; eis aí mais um sentido de se estar com os braços abertos.

7. O que significa “crucificar”?

O verbo “crucificar” significa, literalmente, “pregar numa cruz”. E em um sentido figurado quer dizer “Martirizar”, “Atormentar”, “Mortificar”[16]. Vem do latim crucifigere, uma junção de outras duas. Crux, que significa “cruz”. E Figere, que significa “prender”. Por tanto, Hórus nunca foi “CRUCIFICADO”.

8. Historicidade da crucificação de Jesus

Outro fator importante a ser levado em consideração é a historicidade da crucificação do Senhor Jesus. Se este evento tivesse sido realmente copiado de outros mitos pagãos, então sua historicidade não seria real, mas pura invenção dos cristãos primitivos.

Existem ótimas bases para crermos que a crucificação do Senhor Jesus foi um fato real na história da humanidade: os “Anais”, de Tácito; as “Atas de Pilatos”; a obra “The Death of Pelegrine”, de Luciano de Samosata; a “Mishiná”; os 4 evangelhos; O credo apostólico em I Coríntios 15.

Nos Anais de Tácito, vemos:

"Christus, o que deu origem ao nome cristão, foi condenado à morte por Pôncio Pilatos, durante o reinado de Tibério; mas, reprimida por algum tempo, a superstição perniciosa irrompeu novamente, não apenas em toda a Judéia, onde o problema teve início, mas também por toda a cidade de Roma."[17]

Sobre as Atas de Pilatos, temos:

“Transpassaram as minhas mãos e os meus pés' significava os cravos que na cruz transpassaram seus pés e mãos. E depois de crucificá-lo, aqueles que o crucificaram lançaram sorte sobre as suas roupas e as repartiram entre si. Que tudo isso aconteceu assim, podeis comprová-lo pelas Atas redigidas no tempo de Pôncio Pilatos."[18]

Na obra The Death of Pelegrine, encontramos:

“Os cristãos, como sabes, adoram um homem até hoje – o personagem distinto que introduziu seus rituais insólitos e foi crucificado por isso […]”[19]

Na Mishiná, está escrito:

"Na véspera da Páscoa eles penduraram Yeshu [...] Mas ninguém veio em sua defesa e eles o penduraram [...]”[20]

Quanto aos quatro evangelhos e ao credo apostólico, podem ser conferidos em qualquer bíblia. E sabe-se que o Novo Testamento que chegou até nós através dos tempos é extremamente confiável.

Enquanto que obras clássicas como as de Platão, Heródoto e Aristófanes possuem de apenas 1 a 20 manuscritos antigos, o Novo Testamento possui cerca de 5400 manuscritos em grego e mais de 8000 em latim, que remontam até mesmo do ano 117 d.C. Deste modo, podemos facilmente comparar essas cópias feitas ao longo do tempo e determinar se houveram ou não alterações após passada a época dos apóstolos[21]; e a cada ano aumentam-se esses números de cópias.

Se compararmos todas as cópias antigas, em grego e em latim, do Novo Testamento, veremos que existem discrepâncias insignificantes que chegam a no máximo 1,0%. O pesquisador grego A. T. Robertson até mesmo avaliou que essas dúvidas significam apenas uma milésima parte de todo o texto neotestamentario. Segundo ele, o Novo Testamento é em 99.9% confiável[22].

Sir Frederick Kenyon complementa essa informação afirmando que o número de manuscritos do Novo Testamento, de traduções antigas e de citações feitas dele nos autores antigos da igreja, é tão grande que é praticamente certo que o texto original de cada passagem duvidosa esteja preservado, em uma ou outra destas autoridades antigas. Segundo ele, isso não é possível de ser dito sobre nenhuma outra obra antiga[22].

Com tudo isso, concluímos que o relato da crucificação do Senhor Jesus Cristo vem sendo propagado desde o século I, a partir dos próprios apóstolos, e confirmado por historiadores, apologistas e escritores ao longo dos séculos que se seguiram.

A confirmação da historicidade da crucificação de Jesus confirma que tal evento não foi uma cópia de mitos pagãos, nem mesmo inspirada em representações de “pombos divinos” de asas abertas, pois ninguém em sã consciência morreria pendurado numa cruz só para “imitar” qualquer mito que seja.

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Texto: Gabriell Stevenson

REFERÊNCIAS:
[16] Priberam. Crucificar. <https://goo.gl/JL6GqV>
[17] STROBEL, Lee. Em Defesa de Cristo, Vida, p. 83-84, 2001. PDF
[18] MARTIR, Justino. Apologia I.35. <http://goo.gl/hqFDHG>
[19] GEISLER, Norman. Enciclopédia de Apologética, Vida, p.450, 2002. PDF
[20] GEISLER, Norman. Enciclopédia de Apologética: Respostas aos críticos da fé cistã, Vida, p. 443, 2002. PDF
[21] BOCK, Darrel L. O Novo Testamento é Digno de Confiança?, Bíblia de Estudo Defesa da Fé, CPAD, p. 1527-1528, 2010
[22] GEISLER, Norman. A Bíblia Foi Copiada Com Exatidão ao longo dos Séculos?, Bíblia de Estudo Defesa da Fé, CPAD, p. 540-541, 2010