Osíris e Jesus – Part. 2

1/18/2016 09:16:00 AM Gabriell Stevenson 0 Comments



4. Títulos atribuídos a Osíris

Diferente de Hórus, Osíris teve mesmo alguns títulos bastante semelhantes aos do Senhor Jesus:

“Osíris investido com os atributos de Rá.”

“Mais tarde, no XVIII, ou no início da dinastia XIX, encontramos Osíris chamado de o rei da eternidade, o senhor da eternidade, aquele que atravessa milhões de anos na duração de sua vida, o filho primogênito do útero de Noz, o gerado de Seb, o príncipe dos deuses e dos homens, o deus dos deuses, o rei dos reis, o Senhor dos senhores, o príncipe dos príncipes, o governador do mundo, desde o ventre de Nut, cuja existência é para a eternidade [...] o único, o senhor da terra de cada lado do Nilo celestial."[12]

“Rei da Eternidade”, “Senhor da Eternidade”, “Filho Primogênito”, “Rei dos reis”, “Senhor dos senhores”, “Príncipe dos príncipes”, etc. Estes são de fato atributos bastante estreitos com aqueles aplicados a Jesus:

Ao Rei da eternidade, ao Deus único, imortal e invisível, sejam honra e glória para todo o sempre. Amém. (I Tm 1.17)

Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação. (Cl 1.15)

E no manto e na sua coxa tem escrito este nome: Rei dos reis, e Senhor dos senhores. (Ap 19.16)

[...] e se levantará contra o Príncipe dos príncipes, mas sem mão será quebrado. (Dn 8.25)

Mas isso representa uma prova irrefutável de plágio, ou motivo de dúvida e “medo” para os cristãos? Obviamente que não. Mas para averiguarmos cuidadosamente este fato, vamos analisar os termos um a um.

Os primeiros termos que gostaria de tratar são: “Rei dos reis”, “Senhor dos senhores” e “Príncipe dos príncipes”. Tais expressões não eram exclusivas dos deuses egípcios. Os termos são equivalentes e possuem o mesmo sentido de engrandecer uma determinada divindade ou pessoa acima dos demais reis, príncipes e senhores da Terra e do mundo sobrenatural; dizer que Osíris era o “deus dos deuses” também possuía o mesmo sentido de superioridade.

Essas expressões eram sinônimas de poder e autoridade supremas. Dentro do conceito religioso, estava sempre atribuída ao deus, ou deuses principais de uma determinada cultura; como pode ser visto no caso de Osíris e Rá.

Quando atribuído a homens, eram sinônimos de grandes reis e imperadores[13]. E veja que interessante. A própria bíblia usa esses termos para se referir a reis humanos:

Tu, ó rei, és rei de reis [Nabucodonosor]; a quem o Deus do céu tem dado o reino, o poder, a força, e a glória. (Dn 2.37)

Artaxerxes, rei dos reis [...] (Es 7.12)

Bem, se tal título fosse um mero plágio, não teria sido tão bem plagiado assim, já que a Bíblia atribui o mesmo título a reis humanos. Logo, é um absurdo pensar que tais títulos foram meramente plagiados; é ridículo pensar assim.

Então, por qual motivo Jesus é chamado de Rei dos Reis, Senhor dos Senhores e Príncipe dos príncipes? Pelo simples motivo de mostrar superioridade em relação a qualquer divindade pagã, bem como a reis e imperadores humanos. Então é como se os autores do Novo Testamento, ao descreverem tais títulos, estivessem, de peito aberto, desafiando o governo romano, afirmando que o Senhor Jesus era superior a quem quer que seja.

E quanto ao termo primogênito? Bem, ainda que Osíris e Rá fossem chamados de primogênitos, não o são no mesmo sentido de Jesus. Jesus é antes de todas as coisas e por Ele todas as coisas foram feitas (Jo 1.1-3), por isso que se diz que é o primogênito de toda criação e não por ter sido gerado, mas sempre co-existindo com o Pai por toda a eternidade.

Jesus também é chamado de primogênito de muitos irmãos (Rm 8.29), porém, mais uma vez, não tem relação com ter sido gerado de Deus, mas apenas que Ele foi o primeiro a ter tido seu corpo glorificado entre os homens.

Totalmente diferente de Jesus, Osíris é chamado de primogênito apenas por ter sido o primeiro filho a ser gerado por seus divinos pais, Geb e Nut[14]. Em outras palavras, ele não era antes de todas as coisas. Além do que, é comum, até os dias de hoje, chamar o primeiro filho de primogênito. Usar um termo tão comum assim para afirmar que Jesus é um plágio de Osíris, no mínimo mostra afobação e uma pitada de desespero por parte dos que querem frustradamente ridicularizar o cristianismo.

E por fim, há ainda o termo: Rei da eternidade. Esse talvez seja o único a ser levado a sério. Porém, mais uma vez um termo utilizado de forma diferente para Osíris e o Senhor Jesus.

Osíris não era eterno no sentido pleno da palavra, pois eterno é aquilo que não possui princípio, nem fim[15]. Osíris possuiu um princípio ao ser gerado por seus pais Geb e Nut. Portanto, parece mais adequado pensarmos que tal termo atribuído a Osíris apenas queira dizer que para sempre ele viveria, o que é de se esperar, já que é uma divindade.

Mas quando o termo é associado a Jesus quer dizer literalmente que Ele não tem começo, nem fim. Ele é o Alfa e o Ômega, o próprio Principio e o Fim de todas as coisas (Ap 22.13). Aquele que era antes de todas as coisas e que deu origem a todas as coisas (Jo 1.1-3), por Ele e Nele tudo existe e se move (At 17.28).

No fim, nenhum destes títulos pode ser usado como argumento para acusar o cristianismo de plagiar mitos pagãos egípcios.

5. Osíris teve 12 discípulos?

No que diz respeito aos discípulos, qualquer um sabe que o Senhor Jesus os tinha e que eram 12, chamados de apóstolos (Lc 6.12-16; Mt 10.1-4). Mas e quanto a Osíris? Ele de fato teve 12 discípulos dentro do mesmo entendimento que temos em relação aos discípulos/apóstolos de Jesus?

O que primeiro temos de entender é o significado dessas palavras: discípulo e apóstolo. Segundo a pesquisa no Google, discípulo é “quem estuda, aluno, aprendiz, aluno receptivo a ensinamentos.”[3] Segundo o Wikipédia, apóstolo vem “do grego clássico [...] (apóstolos, ‘aquele que é mandado para longe’), é um mensageiro e embaixador. [4]

Entendendo bem o significado destas palavras, vamos prosseguir.

Como já visto em um post recentemente publicado, não há provas de que Osíris teve 12 discípulos, no sentido correto da palavra. Mas vamos rever isso novamente.

Por vezes, as doze horas da noite e as constelações do zodíaco também são chamadas de deuses “ajudantes” de Osiris, de Hórus, e até de Rá:

“Os doze companheiros [de Osíris] deviam ser os doze signos do zodíaco...”[5, p. 175]

"Os doze deuses podem ser rapidamente identificados com Mazzaroth, ou os doze signos do Zodíaco, aravés do qual o sol passava todo ano."[5, p. 99]

Composições mortuárias pintadas nas paredes... descrevem a viagem de Rá através das 12 horas da noite, e seu renascimento no seu final.” [6, p.245]

Alguns veem isso como sendo 12 discípulos, na mesma esfera de compreensão que se dá para os discípulos e apóstolos de Jesus. Mas tudo não passa de especulação e interpretação pessoal.

Perceba que os autores mostram as doze constelações e as doze horas da noite como sendo deuses ajudantes de outros deuses diferentes e maiores. Ou seja, tais deuses não seriam necessariamente discípulos, mas sim encarregados de ajudar os demais nas mais variadas tarefas, como “ajudar o sol a nascer”; tal função não possui conexão com aquilo que se entende por discípulo ou apóstolo, seja no dicionário ou na Bíblia.

Comentando o texto achado na tumba de Seti/Sety/Sethos I sec. 13 AEC em Thebes, Budge comenta:

“à direita do barco de AFU-RA, e de frente pra ele, está Hórus, e os doze deuses das horas, que protegiam a tumba de Osíris e ajudam Rá em sua jornada...”[7, p. 153].

Em outras palavras, o que se vê é que as constelações é que guiam Hórus e Rá em suas próprias jornadas pelo céu e não Hórus ou Rá quem guia, instrui, ou ensina qualquer coisa às constelações. E também Osíris tinha sua tumba rotegida pelos "doze deuses das horas", mas nada realmente indica que eles foram discípulos de Osíris, mas que apenas foram encarregados de proteger sua tumba.

Deve-se lembrar dos significados de ser um discípulo ou apóstolo. Osíris não ensinou nada aos 12 deuses das horas, nem eles o seguiam como se Osíris fosse seu mestre. Logo, a comparação entre estes "doze deuses das horas" e os 12 discípulos/apóstolos de Jesus é ridícula.

Nem mesmo pode-se dizer que os apóstolos de Jesus guardavam sua tumba, pois eram soldados que estavam fazendo isso (Mateus 27.62-66).

Texto: Gabriell Stevenson

REFÊRENCIAS:
[12] Sacred Texts. The Legends Of Osíris. <https://goo.gl/Pqk6uU>
[13] Wikipédia. Rei dos reis. <https://goo.gl/Kdm2E7>
[14] Wikipédia. Osíris. <https://goo.gl/PNkFp0>
[15] Google. Eterno. <https://goo.gl/LA4wz4>