09 invenções medievais que mudaram o mundo

2/16/2016 12:48:00 PM Gabriell Stevenson 0 Comments


1. Relógio Mecânico

O mundo moderno se baseia na organização do tempo pelas horas, minutos e segundos, num processo que teve origem na Idade Média. Na Europa, a invenção do primeiro relógio mecânico é atribuída ao papa Silvestre II, por volta do ano 1000. O certo é que a partir da virada do século X a invenção passou a ser produzida, copiada e desenvolvida em novos projetos ao redor da Europa medieval. O uso cada vez mais cotidiano desse tipo de mecanismo produziu um efeito irreversível no comportamento social, por meio da organização da rotina diária através das horas de relógio e não mais visíveis pelo tempo (épocas, estações, etc.).

2. A Prensa

1445 é tido como o ano da invenção da Prensa de Johannes Gutenberg, alemão responsável pela tecnologia. Até essa invenção, todo livro presente na Europa havia sido feito a mão (manuscritos) e quase a totalidade das obras traduzidas e publicadas em série tinha a mão dos monges copistas da Igreja Católica. A circulação de ideias possibilitada pela a criação e popularização da máquina foi responsável pelo Renascimento cultural que viria a extinguir o modelo de vida medieval.

3. A pólvora

O combinado químico de enxofre, carvão e salitre (extraído por meio das fezes de animais, na época) tornou-se combustível de guerra por volta do século XI no Oriente, popularizando-se na China e Japão feudais, embora os chineses já a conhecessem desde o século III. A Europa tem no alemão Berthold Schwarz a sua redescoberta. Demorou a ser largamente utilizada como arma de fogo por conta da dificuldade em produzir recipientes resistentes à combustão, ou seja, mais de um século se passou para o desenvolvimento eficiente de armas que fizessem uso da pólvora sem que explodissem sozinhas. Essa invenção mudou o equilíbrio das forças e redesenhou completamente o modo dos povos lutarem, pois as distâncias, precisão e potência atingidas por um projétil por meio de um canhão eram maiores que as por um arco ou catapulta. Ainda hoje a pólvora é o dispositivo bélico mais utilizado no mundo.

4. O Moinho de vento

Os moinhos de água já eram utilizados pelos gregos por volta do século II, na moagem de trigo para farinha. Mas foi durante a Idade Média que se popularizou o engenhoso mecanismo que usa a força da água, e posteriormente do vento, para realizar tarefas que um humano não conseguiria, ou substituir o trabalho de várias pessoas. Foi uma peça fundamental na produção alimentícia desse período e é utilizado até hoje em vários locais da Europa. O mecanismo de captação energética da hélice, princípio extraído do moinho de vento, é o responsável pela produção de energia eólica nos dias de hoje, por exemplo.

5. A cafeteria

A primeira cafeteria do mundo surgiu na Constantinopla otomana, já sob domínio do islamismo, em 1475. A bebida já era produzida em infusões, mas a torra do grão foi inaugurada na Pérsia nessa época e, desde então, virou uma febre o estabelecimento de locais para consumo do café feito como ainda é hoje. Esses locais se espalharam por toda a Europa durante o século XVI em diante, tornando-se o balcão de negócios preferido da nova classe social emergente: a burguesia. Pode-se arriscar dizer que a cafeteria configurou no primeiro espaço público de debates políticos, comerciais e culturais pós-Idade Média. O sucesso das cafeterias refletia a rentabilidade do produto, que só viria a ser produzido no Brasil a partir do século XVIII.


6. Os óculos

Desde o século I já se havia descoberto a possibilidade de ampliar imagens pelo uso de pedras semipreciosas. Em 1270 surgiram os primeiros modelos de óculos de uma lente só (monóculos) e o Pince-Nez, modelo utilizado por cerca de 4 séculos, até a invenção das hastes para segurá-los nas orelhas, que deram o formato que perdura até os dias de hoje. A invenção dessa tecnologia permitiu um avanço poderoso no desenvolvimento da ciência, por uma razão óbvia, há uma proporção direta entre o desgaste da visão com a leitura e a pesquisa, portanto, os homens mais dedicados às ciências eram os que mais cedo perdiam a capacidade de enxergar bem. O desenvolvimento e popularização desse objeto permitiu que se estendesse por mais tempo o período de produtividade das mentes mais empenhadas em gerar conhecimento. Aperfeiçoando a manipulação do vidro e a produção de lentes, o europeu chegou à criação de tecnologias como o telescópio, no século XVII, por exemplo.

7. Livraria Pública

A criação de espaços públicos para consulta e leitura de livros foi o passo decisivo da popularização dos saberes acumulados pelo homem ao longo da história. A Biblioteca de Malatesta Novello em Cesena, Itália, é considerada a primeira biblioteca pública no mundo. Inaugurado em 1452, o edifício era propriedade do município da cidade e permitiu aos leitores fazerem uso livremente de sua coleção. Como a Itália foi o berço do Renascimento cultural que viria a transformar definitivamente o modo como se vive em sociedade, a extravagância foi logo copiada em países como Inglaterra, Portugal, Espanha e Alemanha.

8. Arcobotantes

Quem leu o livro de Ken Follet ou assistiu ao seriado baseado na obra “Pilares da Terra” sabe a importância para a engenharia civil que significou o desenvolvimento na Itália da técnica arquitetônica dos arcobotantes. A estrutura, que mais parece um esqueleto externo da obra, permitiu a ampliação dos espaços de construção, tanto em altura quanto em vão sem pilastras internas; uma das inovações arquitetônicas associadas são as igrejas góticas do século XII. O arcobotante permitiu aos edifícios terem tetos muito altos, paredes mais finas e janelas maiores. As ideias por trás dessas inovações influenciariam projetos arquitetônicos em tempos modernos e permitiriam a construção de edifícios maiores e mais espaçosos, pois a invenção permitia a distribuição do peso das paredes nos arcos externos.

9. O Astrolábio e o Quadrante

Aqui estão os precursores do GPS. Esses equipamentos aperfeiçoados durante a Idade Média foram fundamentais para a expansão ultramarina que marcaria a revolução global a partir do século XVI. Para se ter uma ideia, antes dessas ferramentas serem aperfeiçoadas como instrumentos navais, a navegação era feita às cegas, tendo a terra como referência de que os marinheiros estavam na direção correta. Basta uma olhada em mapas da Alta Idade Média para perceber a difusa noção territorial que os navegantes tinham. Por meio dessa invenção podia-se, também, realizar medições complexas como a profundidade de um poço ou tamanho de uma montanha ou edifício, sendo útil para a demarcação de terras, urbanismo e grandes construções. Mas a principal revolução proporcionada pelo equipamento foi expandir o horizonte de acesso do homem europeu, levando-o às Américas, Oceania, Oriente.

Adaptado do original por Gabriell Stevenson: 10 invenções medievais que mudaram o mundo