DNA Mitocondrial: viemos todos de uma mesma mulher!

2/23/2016 10:34:00 PM Gabriell Stevenson 0 Comments


Editado: 25.02.2016

Sumário:
1. Os estudos
2. Implicações criacionistas
3. Uma geneticista em favor do primeiro casal

1. Os estudos

A Dra. Rebecca L. Cann, do departamento de biologia da Universidade da Califórnia, em Berkeley, realizou uma pesquisa com o intuito de descobrir a origem da raça humana através do mtDNA (DNA Mitocondrial). Rebecca e equipe realizaram testes com 147 indivíduos, das cinco populações geográficas do nosso planeta, de todos os grupos de seres humanos e concluiu que todos possuíam o mtDNA semelhantes. [1] Outro estudo envolvendo 357 indivíduos de 134 famílias diferentes foi realizado por Parsons e seus colaboradores, demonstrando os mesmos resultados. [2]

Alguns naturalistas e evolucionistas, tentando se esquivar das implicações bíblicas que tal descoberta possui, afirmam que não houve apenas uma única mulher que deu origem a todos nós, mas um grupo formado por várias mulheres (e vários homens) [3], porém não é isso o que estudos indicam. Ann Gibbons, pela revista SCIENCE, por exemplo, indica claramente que tal mulher "foi ancestral de todos os seres humanos" [2]; tal posicionamento naturalista parte, portanto, de pressupostos metafísicos.

Não há razões suficientes, também, para se crer que a Eva Mitocondrial, como é chamada, foi a única capaz de produzir uma linhagem direta até os dias atuais, em detrimento das "outras evas"; sendo este um outro posicionamento frequentemente adotado pelos naturalistas.

Muitos cientístas evolucionistas também tentaram descobrir quando e onde a primeira mulher haveria surgido. A conclusão deles foi que ela era africana e surgiu há pelo menos 200 mil anos atrás [1 e 2]. Essa conclusão veio principalmente por meio de métodos baseados em datação radiométrica.

Contrariando tais suposições de muitos evolucionistas, estudos feitos sobre o número das mutações a cada 300-600 gerações (20 vezes mais rápido que se calculara a princípio) nos permitem chegarmos a conclusão de que a primeira mulher teria surgido em algum tempo entre 6.500 anos atrás [2], como Lawrence Loewe e Siegfried Scherer também apontam, por uma publicação pela revista Trends in Ecology & Evolution, quando se referem aos estudos de Parsons e sobre o "advento de métodos poderosos para sequenciamentos precisos em grande escala": "...tal taxa de mutação alta indicaria que Eva viveu cerca de 6,5 mil anos atrás." [4].

Ann Gibbons, pela revista SCIENCE, escreveu que um novo relógio molecular deveria ser levado em consideração: "...os investigadores calcularam que a “Eva mitocondrial” – a mulher cujo mtDNA foi ancestral de todos os seres humanos – viveu entre 100.000 a 200.000 anos atrás na África. Utilizando o novo relógio, ela teria uns meros 6.000 anos." [2]; ou talvez até alguns poucos milênios a mais.

É fato, porém, que, como disse Ann Gibbons, muitos não acreditam que seja o caso da Eva Mitocondrial ter surgido há 6.000 anos, ou um pouco mais [2], pois, como os próprios Lawrence Loewe e Siegfried Scherer afirmaram, esta é "uma figura claramente incompatível com as atuais teorias sobre a origem humana" [4]; a teoria evolutiva. Contudo, todos os argumentos contrários a estes estudos partem principalmente de conjecturas.

Laurent Excoffier, geneticista populacional da Universidade de Genebra, diz: "Eu estou preocupado que as pessoas que estão olhando para eventos muito recentes, como o povoamento da Europa, estejam ignorando este problema" do novo relógio molécular. [2]

Gibbons, comentando sobre a falar de Excoffier, afirma: "De fato, a expansão misteriosa e repentina dos humanos modernos na Europa e em outras partes do globo, que outra evidência genética coloca em cerca de 40.000 anos atrás, pode realmente ter acontecido de 10.000 a 20.000 anos atrás - na época da agricultura, diz Ecoffier. E os estudos mtDNA agora datam o povoamento das Américas em 34.000 anos atrás, embora os mais antigos sítios arqueológicos não controversos são de 12.500 anos de idade. Recalibrar o relógio mtDNA diminuiria [muito mais] a diferença". [2]


2. Implicações criacionistas:


Segundo o relato bíblico sobre a criação da raça humana, todos nós teríamos vindo de uma única mulher: Eva (Gn 3.20), a mesma que foi enganada pela serpente e induzida a comer do fruto proibido. E durante muito tempo, os cientístas evolucionistas ridicularizaram os cristãos por crerem que todos teríamos realmente vindo do primeiro casal criado por Deus. Sem bases sólidas, e com o desejo ardente de querer armonizar a Bíblia com a ciência, muitos cristãos optaram por abraçar o dogma evolucionista e acabaram por deturpar o Gênesis, considerando-o nada mais que uma parábola, para não dizerem "um mito".

Alguns até mesmo argumentam que Adão e Eva não foram pessoas reais, mas apenas "imagens" que figuravam todos os homens e todas as mulheres que foram surgindo através da evolução que, para estes, foi supostamente ocasionada por Deus. Há argumentos que dizem que Adão não é um nome próprio, mas sim um substantivo que quer dizer "homem", ou "ser humano".

Mas mesmo que "Adão" tenha realmente um significado com a palavra "homem", o próprio apóstolo Paulo encarou, e ensinou, que Adão era um nome próprio dado ao primeiro ser humano criado (não evoluído) por Deus; ele diz aos coríntios: "o primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente" (I Co 15.45). Ele também o compara ao senhor Jesus: "Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo" (I Co 15.22); o evangelista Lucas também coloca Adão como sendo o primeiro na ancestralidade de Jesus (Lc 2.38); não há um só versículo que refira-se ao primeiro casal como uma mera parábola ou mito.

Além disso, como vimos, temos bases científicas para afirmarmos que todos realmente viemos de uma única e mesma mulher (mtDNA). A verdade é que quanto mais o tempo passa, mais a ciência revela caminhos que nos direcionam diretamente ao Gênesis, da forma como foi revelado e escrito.

E os dados a respeito de quando surgiu o primeiro mtDNA tornam as histórias de Adão e Eva ainda mais evidentes, pois se caucularmos as datas desde a criação de Adão e Eva, até os dias atuais, teriam se passado quase 6.000 anos; porém, levando em consideração que as genealogias nem sempre estão completas (como no caso da genealogia de Jesus descrita nos evangelhos), pode ser que este tempo seja um pouco mais esticado, podendo chegar a aproximados 10.000 anos, por exemplo; uma data ainda compatível com o novo relógio molecular.


3. Uma geneticista em favor do primeiro casal

Utilizando-se dos dados fornecidos sobre o mtDNA, uma conceituada geneticista molecular promove palestras defendendo a existência histórica de Adão e Eva. Seu nome é Georgia Purdom, Ph.D em genética molecular pela Universidade de Ohio State, e seu mais recente trabalho, um documentário em DVD, chama-se "A Genética de Adão e Eva". [5]

Purdom ainda diz que "a genética mostra claramente que humanos e chimpanzés não compartilham um ancestral comum. Há muitas, muitas diferenças em seu DNA que minam completamente a possibilidade de ancestralidade compartilhada". [5]

De fato, é inaceitável do ponto de vista bíblico a junção daquilo que dizem as Escrituras e o que afirma a visão de mundo naturalista e também a relativista. Não precisamos abraçar "fábulas engenhosamente inventadas" (II Pe 1.16), como disse o apóstolo Pedro. O que precisamos é aceitar o quanto antes que a Palavra de Deus foi divinamente inspirada (II Tm 3.16) e que é digna de toda aceitação, pois no fim das contas toda a criação revelará Deus e Suas obras (Rm 1.20).

Texto: Gabriell Stevenson

REFERÊNCIAS:
[1] Rebecca L. Cann et al., "Mitochondrial DNA and Human Evolution", Nature, Vol. 325(6099), 1 January 1987, p. 31-36. <http://goo.gl/bKRFP8>
[2] Gibbons A. Calibrating the Mitochondrial Clock. Science. 1998; vol. 279 (5347): 28-29. <http://goo.gl/7LA4ri>
[3] AYALA, F., “Polimorfismos genéticos y evolución de los seres humanos modernos”, Jornadas sobre “Evolución molecular humana”, Museo de la Ciencia de la Fundación “La Caixa” (Barcelona, 24-25 de abril, 2001).
[4] Lawrence Loewe and Siegfried Scherer, "Mitochondrial Eve: The Plot Thickens", Trends in Ecology e Evolution, Vol. 12, Issue 11, November 1997, p. 420-422. <http://goo.gl/GklQOK>
[5] ARAGÃO, Jarbas. Gospel Prime. "Evidências confirmam existência de Adão e Eva", diz geneticista, 2015. <https://goo.gl/LgM1Ov>