Review do livro “Evolução dos Organismos Vivos”, de Pierre Grassé

2/02/2016 01:05:00 PM Gabriell Stevenson 0 Comments


Sumário:
1. Introdução
2. A paleontologia
3. A origem da informação
4. As mutações
5. Seleção natural
6. Porque o estudo de Grassé é importante para o criacionismo e o TDI?

1. Introdução

Pierre-Paul Grassé (1895-1985) [1] foi um renomado cientista francês e ex-presidente da Academia de Ciências Francesa [2]. Também foi autor de mais de 300 publicações [1], editor dos volumes de “Tratado de Zoologia” [3], e da obra “Evolução dos Organismos Vivos”, um livro violentamente antidarwinista [2], o qual iremos analisar.

Segundo o próprio Dr. Grassé, seu livro foi escrito com o propósito de "destruir o mito da evolução, considerado como um fenômeno simples, entendido, e explicado que permanece se desdobrando rapidamente diante de nós." Para ele, os "biólogos devem ser encorajados a pensar sobre as fraquezas e as extrapolações que os teóricos desenvolvem ou colocam como verdades estabelecidas. O engano algumas vezes é inconsciente, mas nem sempre, pois algumas pessoas, devido ao seu sectarismo, propositalmente passam por cima da realidade e se recusam a reconhecer as inadequações e falsidade de suas crenças." [4: p,8]

2. A paleontologia

Mesmo sendo um crítico ferrenho do darwinismo, Dr. Grassé continuou a apoiar a evolução. Dizia que “zoólogos e botânicos são quase unânimes em considerar a evolução como um fato e não uma hipótese.” Ele afirmava que estava “de acordo com esta posição” e se baseava “principalmente nos documentos apresentados pela paleontologia, ou seja, a história do mundo dos vivos [...]”. Segundo ele, os “naturalistas devem se lembrar que o processo da evolução é revelado somente através de formas fósseis” e que o “conhecimento da paleontologia é, portanto, um pré-requisito”. Dr. Grassé ainda considerava a paleontologia como sendo “a única verdadeira ciência da evolução”. Dela poderíamos aprender a interpretar corretamente as presentes ocorrências, mas também revelar que certas hipóteses consideradas pelos darwinistas como certas “são de fato questionáveis ou mesmo ilegítimas” [4: p.3,4]

É interessante argumentar sobre a importância da paleontologia no estudo da evolução, pois apesar de sua insistência de que a paleontologia é "a única verdadeira ciência da evolução", Grassé não fornece muitas evidências que mostram que a paleontologia realmente oferece dados observáveis ​​em apoio da evolução. Pelo contrário, ele mesmo aponta que há inúmeras lacunas no registro paleontológico como “o imenso fosso entre anelídeos poliquetas e amphioxus.” [4: p.17]

Também fala que, em relação à origem dos filos, há “a quase total ausência de evidência fóssil”; e continua afirmando que “a falta de evidência direta leva à formação de pura conjectura sobre o gênesis dos filos” e que “nós nem sequer temos uma base para determinar a extensão” em que as “opiniões” dos evolucionistas “estão corretas.” [4: p.31]

Segundo o grande biólogo e paleontólogo evolucionista, Stephen Jay Gould (1941-2002)[5], reconhecido como o mais lido e conhecido divulgador científico da sua geração, "a extrema raridade de formas transicionais no registro fóssil persiste com o negócio secreto da paleontologia. As árvores que adornam nossos livros-texto têm dados somente nas extremidades e nódulos de seus galhos; o resto é inferência, por mais que razoável, não é a evidência dos fósseis." [6: p.181]

Gould também acusou que “o argumento de Darwin ainda persiste como a fuga favorita da maioria dos paleontólogos do constrangimento de um registro que parece mostrar tão pouco da evolução diretamente [...]”. E finaliza afirmando que um verdadeiro gradualismo da evolução “nunca foi visto nas rochas.” [6: p.181].

Conforme afirmou o historiador da ciência, Enézio E. de Almeida Filho, "o que antes era o negócio secreto da paleontologia, Gould tornava público:" [7]

“[...] a história da maioria dos fósseis das espécies inclui duas características inconsistentes com o gradualismo: (1) Estase. A maioria das espécies não exibe mudança direcional durante a sua existência na Terra. Elas aparecem no registro fóssil parecendo muito semelhantes quando desapareceram; a mudança morfológica geralmente é limitada e sem direção. (2) Surgimento abrupto. Em qualquer área local, uma espécie não surge gradualmente pela transformação constante de seus ancestrais; ela aparece de uma vez e ‘plenamente formada’.”[6: p.182]

Vê-se, então, que os estudos da própria paleontologia demonstram a impossibilidade da evolução ser observada ou detectada nos fósseis; tudo o que temos são apenas inferências e opiniões promovidas pelos próprios neodarwinistas não tão abertos aos fatos quanto Grassé, Gould e tantos outros o foram.

E é sempre bom lembramos que “a descoberta de um novo fóssil pode modificar consideravelmente as nossas opiniões”, assim como Grassé salientou, e pode tornar “obsoleto” tudo aquilo que era “previamente pensado como sendo definitivo” [4: p.31].

3. A origem da informação

Voltando-nos novamente para a obra de Grassé, vemos que o cientista francês aponta para a dificuldade de se encontrar a origem da “inteligência”, atualmente chamada de “informação”, mas que ainda permanece como sendo “a mesma coisa”. Tal informação genética é tão importante que sem ela não haveria vida alguma. Segundo Grassé, este é um problema que diz respeito tanto a biólogos quanto a filósofos, sendo que para a ciência “parece impossível de resolvê-lo”.[4: p.3]

Quanto a isso, um pequeno documentário foi lançado em 2015 sob o nome de “O Enigma da Informação”. O Dr. Stephen C. Meyer, autor do livro “A Dúvida de Darwin”, comenta no início da filmagem que “a questão crucial que irá decidir o debate sobre as origens da vida é precisamente a questão da origem da informação. Se você não tiver instruções, se você não tiver informação, você não consegue construir nada em biologia.” [8, 0:30min à 0:45min] Sem dúvidas, tal problema também se aplica a evolução das espécies, que, de acordo com a teoria darwinista, necessitaria do surgimento de novas “informações” ou “inteligência”, pois “para construir uma nova forma de vida animal, é necessário tipos de células e proteínas e, portanto, é necessária informação genética.” [8: 5:18min à 5:24]

Grassé comenta que “quando nós consideramos uma obra humana, nós cremos que sabemos de onde vem a 'inteligência' que a elaborou; mas quando diz respeito a um ser vivo, ninguém sabe ou jamais soube, nem Darwin ou Épicuro, nem Leibniz ou Aristóteles, nem Einstein ou Parmênides.” Para ele, “um ato de fé” é “necessário para fazer com que adotemos uma hipótese em vez de outra”. E continua afirmando que “ciência que não aceita qualquer credo, ou em qualquer caso, não deveria, reconhece sua ignorância, sua incapacidade para resolver este problema que, estamos certos, existe e é real.” [4: p.2]

Dr. Grassé ainda argumenta que “para insistir [...] que a vida apareceu por acaso e evoluiu” de forma aleatória e por numerosas, sucessivas e ligeiras modificações “é uma suposição infundada” que ele acreditava “ser errada e não está de acordo com os fatos”. [4: p.107] Quem, portanto, “seria bastante louco em apostar na roleta da evolução randômica? A criação, por grãos de poeira levados pelo vento no quadro Melancolia de Dürer tem uma probabilidade menos infitesimal do que a construção de um olho através dos acidentes que podem acontecer com a molécula do DNA – acidentes que não têm nenhuma conexão sequer com as funções futuras do olho. Sonhar acordado é permitido, mas a ciência não deve sucumbir a isso.” [4: p.104]

4. As mutações

Os discursos, anotações e até publicações por onde as mutações são invocadas como um mecanismo pelo qual a macroevolução ocorre, sem dúvidas, são como um prego que os neodarwinistas tentam usar no lugar onde se deveria utilizar um parafuso, ou seja, ele pode até entrar, mas não se encaixa, não funciona, não é eficiente.

Segundo aponta Grassé, assim que os biólogos modernos observam uma mutação ocorrer, eles apontam logo para a evolução. Para eles, uma vez que “todos os seres vivos passam por mutações” então deve se concluir que “todos os seres vivos evoluem”, mas Grassé considera tal inferência como sendo “inaceitável”, em primeiro lugar “porque sua premissa maior não é nem evidente, nem geral”, e em segundo lugar “porque sua conclusão não está de acordo com os fatos”, pois “não importa quão numerosas elas possam ser, as mutações não produzem qualquer tipo de evolução.” [4: p. 88].

Como bem explanaram os colunistas do portal TDI Brasil, Wallace Barbosa, e o mestre em ciências da saúde e autor do e-book “Teoria do Design Inteligente”, Everton Fernando Alves, “as estimativas atuais são de que ocorram entre 100-200 novas mutações por indivíduo a cada geração. Destas, os dados variam entre 1-15% de mutações deletérias que causariam a perda direta de informação genética em humanos a cada geração. Em relação ao fitness, em 1997, um estudo estimou entre 1-2% a taxa de perda da aptidão humana, ou seja, a frequência com que a humanidade está se degenerando a cada geração. Em 2010, por sua vez, outro estudo estimou que a aptidão humana está em declínio em 3-5% por geração [9].”

Se mutações provocassem a macroevolução é de se esperar que ela fosse percebida com maior facilidade e constância. E se fossem algo verdadeiramente bom e benéfico, não haveria tantos malefícios associadas às mutações; “não haveria inúmeros mecanismos moleculares que sondam constantemente e procuram reparar todas as mutações que afetam o DNA”, nem provocariam “a morte programada da célula mutante, a fim de evitar que ela se multiplique” [9].”

5. Seleção natural

Quanto à Seleção Natural, Grassé afirmou que "quando os darwinistas argumentam que a finalidade observada nos fenômenos biológicos é uma ilusão, uma aparência enganosa, eles se esquecem ou falham em reconhecer que a própria fundação de sua interpretação da natureza, é fortemente carregada de consequências filosóficas.” E complementa afirmando que “ao fazer da seleção o agente da evolução do mais apto, eles conferem a cada coisa viva uma finalidade inerente que se torna a lei suprema do indivíduo, da população e das espécies [...], a seleção natural e a capacidade de adaptação são consideradas como os agentes de uma finalidade de um tipo transcendental.” [4: p.128-129]

Lynn Margulis, uma bióloga evolucionista, mas não darwinista, falecida em 2011, corajosa e honestamente declarou que “a seleção natural elimina, e talvez mantenha, mas ela não cria [10].”

6. Por que o estudo de Grassé é importante para o criacionismo e o TDI?

Os estudos de Grassé, não apenas aqueles presentes na obra “Evolução dos Organismos Vivos”, demonstram a fragilidade e quão imensas são as inferências feitas pelo darwinismo dentro da biologia, paleontologia e zoologia. E, mesmo sem querer, apenas confirmam cada vez mais que os seres vivos demonstram um evidente aspecto de terem sido criados por Deus (dentro do Criacionismo), ou projetados por um designer (dentro da TDI).

A insistência de pessoas como Grassé, Gould, Margulis e outros em permanecer com a proposta evolucionista, sem necessariamente ser o evolucionismo darwinista, é uma questão de preferência, ou “de gosto”, como já falou Marcos N. Eberlin, e até de um “ato de fé” como explicou Grassé.

Muitos outros talvez tenham medo de abandonar de vez o evolucionismo por acharem inocentemente que estariam cometendo um “suicido intelectual”, ou talvez por temerem a exclusão definitiva do meio acadêmico atual, uma vez que as universidades e academias estão cheias de idólatras de Darwin e da proposta macroevolutiva seja qual for; grande parte destes recorrem ao mito do “evolucionismo teísta”, onde, basicamente, Deus teria dado o pontapé inicial para o surgimento da vida e a deixou pré-programada para evoluir e melhorar gradativamente por meio de sucessivas e ligeiras modificações, ou ainda que Deus esteja atuando efetivamente e constantemente para que a macroevolução ocorra.

Contudo, para os que não possuem medo de afirmar que o darwinismo e a macroevolução são propostas falsas e amplamente refutadas pela ciência experimental e observacional, tais conclusões cientificas de Grassé (e de tantos outros cientistas), são ótimas evidências de que os seres vivos foram planejados e criados.


REFERÊNCIAS:
[1] CONTEÚDO aberto. In: Wikipédia: a enciclopédia livre. Pierre-Paul Grassé. <https://goo.gl/atG778>
[2] CONTEÚDO aberto. In: INFOPÉDIA. Pierre Grassé. <http://goo.gl/Mv2jEg>
[3] CONTEÚDO aberto. In: Wikipédia: a enciclopédia livre. Traité de Zoologie de Grassé. <https://goo.gl/B1QKZE>
[4] GRASSÉ, Pierre-Paul. Evolution of Living Organisms, Academic Press, New York, NY, 1977.
[5] CONTEÚDO aberto. In: Wikipédia: a enciclopédia livre. Stephen Jay Gould. <https://goo.gl/iVkay2>
[6] Gould, S. Jay. The Panda’s Thumb. Nova York: W. W. Norton, 1980. <http://goo.gl/H6ldr5>
[7] FILHO, Enézio E. de Almeida. Desafiando a Nomenklatura Científica. Os céticos sofisticados contra Darwin, 2006. <http://goo.gl/Mt7CJI>
[8] O enigma da informação. Direção: John G. West. Produção: Discovery Institute. Roteiro: David Klinghoffer. Entrevistados: Stephen Meyer e Douglas Axe. Seattle – WA, 2015, 21 min. Legendagem: Saulo Reis. Son., color. <https://goo.gl/OFMnHN>
[9] BARBOSA, Wallace e FERNANDO, Everton. Criacionismo. Evidências de que a evolução é falsa, 2015. <http://goo.gl/gZ1GDZ>
[10] Discover Interview: Lynn Margulis Says She's Not Controversial, She's Right. <http://goo.gl/6ikOf>