Oba-oba para pouca coisa: Ida - Part. 1

4/10/2016 04:02:00 PM Gabriell Stevenson 0 Comments



Nota: O texto a seguir é uma tradução do texto original Darwin fossil hyper-hype.

Sumário:
1. Introdução
2. As afirmações
3. Comentários
4. O que eles encontraram?
5. Evolucionistas estão céticos com relação a esse oba-oba
6. Preservação em xisto?
7. Estase
8. Resumo
9. Adendo

1. Introdução

A ação subitamente orquestrada da mídia sobre este fóssil équase inacreditável. Os paleontólogos convidaram até Michael Bloomberg, prefeito de Nova Iorque, a comparecer ao "lançamento" oficial de Ida (apelido bonitinho do fóssil), quando ele fosse desvendado - como uma nova escultura de um artista famoso - à reunião de jornalistas.

Poucos dias após a publicação do artigo científico, eles anunciaram um livro (The Link), uma página na Internet (The Link) dedicada à história, e um documentário pela Atlantic Productions (The Link). Sir David Attenborough escreveu e narrou uma versão especial para a BBC. [1]

Eles planejaram tudo isso para o lançamento na imprensa em questão de dias antes da publicação do artigo. E tudo isso visando o público leigo.

Attenborough disse: "Esta pequena criatura vai nos mostrar nossa conexão com todos os outros mamíferos. O elo que se dizia estar perdido... não está mais". [2] Mas note seu cuidadoso discurso. Os leigos, incluindo muitos repórteres, ouviram "eles encontraram o elo entre humanos e símios", mas Attenborough quis dizer um possível elo entre primatas e o resto o reino animal. Essa abordagem ambígua parece ser deliberada, e não só por Attenborough. A repetitiva ênfase "O Elo", com toda a excitação publicitária, reforça isso. É o mesmo tipo de tática desonesta que dizer, em um debate, que evolução significa mudança, mudança ocorre nos organismos (por exemplo, a perda dos olhos em peixes de cavernas), portanto a evolução (das moléculas à humanidade) é um fato.

E só para completar, neste "ano de Darwin", eles nomearam a criatura em homenagem ao herói dos teus, Charles Darwin: Darwinius masillae. (Alguém deve estar pensando o que Charles Darwin diria agora, se ele pudesse - veja Lucas 16.26-31). Como disse Richard Dawkins, Darwin permitiu que ele se tornasse um "ateu intelectualmente satisfeito". Essa é a razão de toda a excitação sobre Darwin, que parece ser a febre do momento, neste "ano de Darwin".

Não acho que já tenha visto afirmações tão espalhafatosas sobre um achado fóssil, e olha que já vi algumas, incluindo a de um dos principais co-autores desse artigo: as declarações de Philip Gingerich a respeito do Pakicetus, em 1983. Gingerich tinha alguns fragmentos do crânio de um mamífero do Paquistão, e afirmou que aquilo era o precursor evolutivo das baleias. Ele embelezou a história com uma reconstrução artística de como o Pakicetus (baleia do Paquistão) seria, com pernas tornando-se nadadeiras, um cotoco de cauda se desenvolvendo e a criatura imaginária mergulhando para caçar peixe. Bonitinho... Gingerich afirmou que aquilo era "perfeitamente intermediário, um elo perdido entre os primeiros mamíferos terrestres e as baleias completamente formadas". Com uma afirmação assim tão forte e confiante vinda de um especialista, quem poderia duvidar que a evolução era verdadeira? Sete anos depois, outros paleontólogos publicaram um artigo descrevendo o restante do Pakicetus e, agora, o fóssil quase completo mostrou que a imaginação de Gingerich realmente o deixou na mão e o animal não era o elo perdido que ele esperava.

Aparentemente muitos paleontólogos gostam desse gênero de comportamento publicitário "ultra-afobado" a favor de um conto-de-fadas evolucionista, porque eles recentemente elegeram Gingerich como presidente da American Paleontological Association.

Gingerich comparou o achado de Ida à descoberta arqueológica da Pedra de Roseta! Seus colaboradores neste artigo juntaram-se alegremente à bagunça publicitária. Em uma entrevista televisionaa, o co-autor Dr. Jorn Hurum disse: "É realmente muito difícil dizer exatamente quem deu origem aos humanos naquela época, mas melhor que isso é difícil". De acordo com o Science News, Hurum disse: "Este é o primeiro elo de todos os humanos... realmente um fóssil que liga o mundo todo". [2] E, também: "É o equivalente científico do Santo Graal. Este fóssil provavelmente será aquele que estará nos livros didáticos pelos próximos 100 anos." [3]

Hurum tem uma reputação, na Escandinávia, de aparecer frequentemente na televisão e rádio para promover seus pontos de vista sobre evolução e paleontologia. [4] Na coletiva de imprensa com os pesquisadores, um jornalista perguntou sobre a conveniência de todo o barulho sobre uma suposta descoberta científica e Hurum diss ao The New York Times: "Qualquer popstar faz a mesma coisa. Precisamos começar a pensar em fazer isso em ciência."

Hurum também comparou o achado à descoberta da "arca perdida da arqueologia" [5], enquanto que o co-autor Jens Franzen exaltou-o como "a oitava maravilha do mundo". [3] Caramba!



2. As afirmações

Um artigo no New York Daily News resumiu as alegações da seguinte forma (a numeração é adição nossa) [3]:

1. "... o elo perdido há muito procurado entre humanos e símios."
2. "... o fóssil da criatura parecida com um lêmure apelidado Ida, mostra polegares opostos, como os humanos, e unhas ao invés de garras."
3. "... pernas posteriores dão evidência de mudanças evolutivas que levaram a primatas eretos  - um avanço notável que poderia finalmente confirmar a teoria da evolução de Charles Darwin".

3. Comentários

Para ser justo, os paleontólogos na verdade não disseram que ele era um elo entre humanos e símios, mas é compreensível que os jornalistas tenham interpretado o que eles disseram desse modo. [6] Eles estão dizendo que Ida deve lançar alguma luz sobre o que deve ser a conexão entre o suposto ancestral evolutivo da humanidade, um primata, e os não-primatas. O Dr. Jens Franzen disse na coletiva de imprensa, na celebração de "lançamento", em Nova Iorque: "Não estamos lidando com nossa tatara-tatara-tatara-avó, mas talvez com nossa tatara-tatara-tatara-tia-avó." Note que aqui Franzen admite que a criatura não é um ancestral dos humanos, então Ida não é um elo entre humanos e qualquer coisa, nem mesmo entre os hipotéticos precursores dos primatas em geral.

Lêmures têm polegares (hálux) opostos, e unhas ao invés de garras também, mas quase ninguém considerou que eles tenham algo a ver com o ancestral do homem. Além disso, como outros primatas, mas não os humanos, eles o têm nos seus pés, o que é bom para agarrar galhos, mas dificulta bastante à postura ereta para andar.

Note o discurso cuidadoso. Os autores imaginaram certas características que devem ser relevantes para se andar ereto dez milhões de anos evolutivos atrás. Eu não encontrei nada no artigo publicado que apoiasse essa conjectura. [7] E note que isso "poderia finalmente confirmar a teoria da evolução de Charles Darwin". Ora, isso admite tacitamente que a teoria ainda não foi confirmada, contrário a muitos outros barulhentos achados fósseis que foram exibidos como "prova" da evolução (a história da evolução humana tem sido uma história muito adaptável e, sempre, mutante).

Continua... aqui!

Fonte: Creation

REFERÊNCIAS:
[1] The Film: A major documentary film on Ida and her place in our history. <http://goo.gl/xJP4X1>
[2] Common Ancestor of Humans, Modern Primates? “Extraordinary” Fossil Is 47 Million Years Old, ScienceDaily, 19 May 2009. <http://goo.gl/vhdgH1>
[4] Meet Jorn Hurum, The Man Who Found The Missing Link Or Ida, The 47 Million Year Old Fossil. <http://goo.gl/9oC22b>
[5] Fossil frenzy, The Scientist.com. <http://goo.gl/Ecq35N>
[6] Até mesmo o The Scientist, que você deve achar que normalmente tomaria cuidado em não usar um discurso’tão ambíguo, referiu-se ao Darwinius masillaecomo “nosso novo ancestral primata de 47 milhões de anos”. <http://goo.gl/SLxdrK>
[7] No artigo do periódico, os autores descrevem a interface superficial do osso astrágalo com a fíbula (o osso da panturrilha) como sendo saturada. Eles afirmam que isso é uma característica da subordem de primatas que inclui macacos, chimpanzés e humanos (não apenas humanos). Eles também admitem que não há mamíferos não-primatas que tenham uma saturação angular semelhante (p.17-18).